Proteção contra Descargas Atmosféricas (PDA): guia técnico completo segundo as Normas Brasileiras
- Antístenes Júnior

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Atualizado: há 2 dias

As descargas atmosféricas, popularmente conhecidas como raios, representam um dos fenômenos naturais mais destrutivos para edificações, equipamentos elétricos e, principalmente, para a segurança das pessoas. O Brasil está entre os países com maior incidência de descargas atmosféricas no mundo, o que torna o investimento em Proteção contra Descargas Atmosféricas (PDA) não apenas uma boa prática, mas uma necessidade técnica, legal e estratégica.
Neste artigo, você entenderá de forma clara e objetiva:
O que é Proteção contra Descargas Atmosféricas (PDA);
Como funciona um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA);
Quais são os riscos da ausência de proteção;
Quais normas técnicas são aplicáveis no Brasil;
Quando o SPDA é obrigatório;
Como funciona o projeto, instalação e manutenção;
Os benefícios técnicos e financeiros da proteção;
E como a AJ ENGENHARIA pode ajudar sua empresa a garantir segurança, conformidade legal e redução de riscos.
O que é a Proteção contra Descargas Atmosféricas (PDA)?
A Proteção Contra Descargas Atmosféricas (PDA) é o conjunto de medidas técnicas destinadas a reduzir os riscos causados por descargas elétricas naturais, conhecidas como raios.
Os raios ocorrem quando a diferença de potencial entre nuvem-nuvem ou nuvem-solo atinge valores críticos, fazendo com que cargas elétricas migrem de forma massiva de um ponto a outro, seja dentro de nuvens ou entre nuvens e o solo.
Cada descarga pode apresentar:
Correntes elétricas na ordem de dezenas de quiloampères (kA);
Tensões de milhões de volts (MV);
Elevação abrupta da temperatura do ar para valores superiores a 30.000°C.
Essas características impressionantes tornam o raio extremamente destrutivo, podendo provocar incêndios, explosões, danos estruturais às edificações, queima de equipamentos eletro eletrônicos e o principal: risco de morte às pessoas e outros seres vivos.
As medidas propostas pelo PDA para mitigar esses riscos incluem:
Captação da descarga atmosférica;
Condução segura da corrente elétrica;
Dissipação controlada no solo;
Proteção contra surtos elétricos induzidos.
O principal objetivo da PDA é evitar danos estruturais, incêndios, queima de equipamentos e riscos à vida humana.
O que é o Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA)?
O SPDA é o sistema responsável por interceptar o raio e conduzir sua corrente elétrica até o aterramento, garantindo uma dissipação segura no solo.
Ele é composto por três subsistemas principais:
Subsistema de captação
Responsável por interceptar o raio. Pode ser formado por:
Hastes captoras;
Malhas captoras;
Mastros;
Cabos suspensos;
Componentes metálicos naturais da edificação (estruturas metálicas, telhados metálicos, guarda-corpos, etc.).
Subsistema de descida
Conduz a corrente da descarga até o solo, por meio de:
Condutores de cobre ou alumínio;
Barramentos metálicos;
Estruturas condutoras integradas.
Subsistema de aterramento
Responsável pela dissipação da corrente no solo, utilizando:
Hastes de aterramento;
Malhas enterradas;
Anéis periféricos;
Fundações aterradas.
Por que a proteção contra raios é essencial?
O Brasil registra milhões de descargas atmosféricas todos os anos, figurando entre os países com maior incidência de raios no mundo.
Sem um SPDA adequado, os riscos incluem:
Incêndios em edificações;
Explosões em ambientes industriais;
Queima de equipamentos eletro eletrônicos;
Paradas operacionais prolongadas;
Prejuízos financeiros significativos;
Risco direto à vida humana.
Importante mencionar que, em ambientes industriais, hospitalares, data centers e edificações com grande concentração de pessoas, a ausência de um sistema adequado pode configurar negligência técnica e legal.
Quais normas regulamentam a PDA no Brasil?
A principal norma técnica é a ABNT NBR 5419:2015, composta por quatro partes:
NBR 5419-1 – Princípios Gerais: define conceitos básicos, parâmetros das descargas e princípios de proteção.
NBR 5419-2 – Gerenciamento de Risco: estabelece a metodologia para avaliar a necessidade do SPDA e determinar a classe do sistema.
NBR 5419-3 – Danos Físicos e Risco à Vida: apresenta os critérios de projeto, instalação e inspeção do SPDA.
NBR 5419-4 – Sistemas Elétricos e Eletrônicos: trata das medidas de proteção contra surtos (MPS), incluindo DPS, equipotencialização e aterramento funcional.
Outras normas importantes:
ABNT NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão;
ABNT NBR 14039 – Instalações elétricas de média tensão;
NR-10 – Segurança em instalações elétricas.
Quando o SPDA é obrigatório?
A obrigatoriedade do SPDA é definida por análise de risco, conforme a NBR 5419-2.
No entanto, o SPDA é obrigatório ou altamente recomendado em:
Indústrias;
Hospitais e clínicas;
Escolas e universidades;
Galpões logísticos;
Data centers;
Edifícios altos;
Postos de combustíveis;
Subestações de energia elétrica;
Sistemas fotovoltaicos de médio e grande porte.
Além disso, seguradoras normalmente exigem laudo técnico de SPDA para cobertura patrimonial.
Como funciona o projeto de SPDA?
O projeto de SPDA deve ser desenvolvido por engenheiro eletricista habilitado, com emissão de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
As etapas principais são:
Análise de risco;
Levantamento de dados da edificação;
Estudo da resistividade do solo;
Definição da classe do SPDA;
Dimensionamento dos subsistemas;
Projeto executivo.
Classes do SPDA: entenda as diferenças
A NBR 5419 define quatro classes de proteção:
Classe I – Máxima proteção (ambientes críticos);
Classe II – Alta proteção;
Classe III – Proteção intermediária;
Classe IV – Proteção básica;
A escolha da classe influencia diretamente no nível de segurança e no custo do sistema.
Instalação, inspeção e manutenção do SPDA
Instalação
A instalação deve seguir rigorosamente o projeto executivo, com utilização de materiais certificados e mão de obra especializada.
Inspeção
A norma exige inspeções visuais, elétricas e funcionais periódicas:
Anual – inspeção visual;
A cada 3 anos – inspeção completa;
Após descargas severas.
Laudo Técnico de SPDA
Documento essencial para:
AVCB do Corpo de Bombeiros;
Seguradoras;
Auditorias técnicas;
Conformidade legal.
Proteção contra surtos elétricos (MPS)
Mesmo sem impacto direto, os raios podem gerar surtos induzidos causados por impulso eletromagnético de descarga atmosférica (LEMP) capazes de danificar equipamentos permanentemente. Em outras palavras, um raio ocorrido próximo ou mesmo a quilômetros de uma edificação, pode danificar equipamentos eletro eletrônicos dentro dela.
A proteção, nestes casos, é realizada por meio de:
Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS);
Blindagem magnética;
Equipotencialização;
Aterramento adequado.
Essa proteção é indispensável em:
Sistemas fotovoltaicos;
Ambientes industriais;
Data centers;
Clínicas e hospitais;
Sistemas de automação predial e industrial.
SPDA em sistemas fotovoltaicos
A geração solar exige proteção reforçada contra descargas atmosféricas, pois os seus principais componentes - módulos e inversores - são altamente sensíveis.
Um projeto adequado evita:
Queima de inversores;
Danos aos módulos;
Perda de produção;
Longos períodos de inatividade em caso de danos;
Custos elevados com manutenção.
Benefícios do investimento em SPDA
Redução drástica do risco de incêndios;
Segurança para pessoas e animais;
Proteção do patrimônio;
Redução de falhas elétricas;
Menor custo de manutenção;
Conformidade legal e normativa;
Aumento da vida útil das instalações;
Valorização do imóvel.
Conclusão
A proteção contra descargas atmosféricas deixou de ser um simples item de segurança para se tornar um pilar estratégico na gestão de riscos patrimoniais, operacionais e humanos.
Ignorar a importância do SPDA pode resultar em prejuízos incalculáveis. Por outro lado, investir em um projeto técnico bem elaborado garante segurança, confiabilidade, conformidade legal e tranquilidade operacional.
Se sua empresa busca segurança, qualidade técnica e soluções sob medida para proteger as pessoas e o patrimônio contra os danos que um raio pode causar, a AJ ENGENHARIA está pronta para lhe atender. Somos especialistas em projetos elétricos, sistemas de aterramento e proteção contra descargas atmosféricas, oferecendo soluções completas que envolvem:
Estudo técnico e análise de risco;
Projeto executivo de SPDA conforme NBR 5419;
Projeto de MPS, conforme NBR 5419;
Instalação de todo o sistema;
Acompanhamento técnico da instalação;
Laudos técnicos e inspeções;
Adequação normativa e emissão de ART.
Nosso diferencial está na engenharia aplicada, aliando rigor técnico, segurança, viabilidade econômica e excelência operacional, oferecendo soluções sob medida para cada tipo de empreendimento.
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Bibliografia
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-1: Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 1: Princípios gerais. Rio de Janeiro, ABNT, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-2: Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 2: Gerenciamento de risco. Rio de Janeiro, ABNT, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-3: Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida. Rio de Janeiro, ABNT, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-4: Proteção contra descargas atmosféricas - Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura. Rio de Janeiro, ABNT, 2015.

Antístenes Júnior é engenheiro eletricista e administrador, atuando há mais de duas décadas no setor industrial no âmbito técnico e de gestão. É sócio e fundador da AJ Engenharia Ltda.



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